segunda-feira, 2 de abril de 2012

Resumo "A agonia europeia e a gestação da nova ordem internacional (1039-1947)" Capitulo 5 do livro Historia das Relações Internacionais Contemporâneas - José Flavio Sombra Saraiva

A Agonia Europeia e a Gestão da Nova Ordem Internacional (1939-1947)
 
Após 1947, o mundo se deparou com uma completa mudança, e rompeu comas heranças da balança de poder do século XIX e com os anos de transição e de instabilidade do período entre guerras. O maior legado pós-guerra foi o surgimento de uma nova ordem internacional, com o surgimento de um mundo Bipolar, sendo ambas as superpotências não europeias. Ao contrario da Primeira Guerra, a Segunda Guerra, foi efetivamente travada entre todas as nações e culturas do globo. A guerra levou as relações internacionais aos seus mais altos níveis de mundialização. Houve uma grande mudança na ordem internacional. A Grã-Bretanha e a França deixaram de reinar, a Alemanha e a Itália perderiam os espaços internacionais conquistados pela força.

5.1 A Agonia da Guerra Civil Europeia (1939-1941)
A Europa viveu uma guerra interna desde 1914. O período do inicio da Segunda Guerra 1939 até sua verdadeira mundialização 1941, foi o movimento mais dinâmico dessa agonia. Em pouco tempo Londres e Paris deixaram de serem os principais centros do poder internacional para ceder lugar para Washington e Moscou, e até 1945 os Berlin e Tóquio. A guerra se tornaria realmente mundial somente em 1941, com a junção da guerra japonesa contra a China e da guerra europeia, depois da invasão alemã a URSS e do ataque japonês a base americana de Pearl Harbor.

5.1.1 A Guerra Europeia (1939-1940)
A guerra europeia foi desencadeada em setembro de 1939, com a invasão da Polônia por Hitler e, em seguida, pela URSS, com isso a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha. A guerra começara lenta e pausadamente, lembrado a muitos a Primeira Guerra.A Alemanha tinha forças mais favoráveis. Apesar da fraca superioridade naval dos franceses e britânicos, os alemães tinham 3.228 aviões de guerra contra os 1.377 do Reino Unido e 1.254 dos franceses. Em terra, os canhões e tanques alemães eram também numericamente superiores.Apesar da inferioridade militar, franceses e britânicos sentiam-se superiores.A estratégia franco-britânica de evitar ou retardar a guerra parecia a melhor forma de desenvolver as forças potenciais. A perspectiva de vencer a Alemanha não era somente por vias militares, mas também econômica. A concepção da vitoria pela via econômica era, ao mesmo tempo, um objetivo e um ideal para os aliados franco-britânicos.A percepção de que a supremacia econômica sobre a militar era central para vencer Hitler explica a movimentação dos britânicos. As decisões norte-americanas de relativizar sua neutralidade e autorizar a venda de armas no sistema cash-and-carry, em novembro de 1939, animaram os britânicos. Assim a Grã-Bretanha e a França, poderiam assim apoiar-se em forças mundiais, ao contrario de Hitler.A estratégia econômica e política da guerra longa resultaram em uma tática militar defensiva. Porem havia diferenças entre os aliados. Chamberlain nãoqueria sacrificar tropas britânicas. Daladier pensava em abrir um novo front contra alemães. Os conselhos do então Coronel De Gaulle de mudar a estratégia para o campo militar e ofensivo não foram ouvidos.De qualquer forma, franceses e britânicos exigiam que os alemães cessasse mas agressões e reparassem os danos impostos à Polônia e à Tchecoslováquia.Hitler propôs a paz em seis de outubro de 1939. Chamberlain e Daladier nãoaceitaram, pois só lhes interessava a paz no contexto da substituição do governo títere na Polônia e da retomada da influencia franco-britânica sobre o continente europeu. Havia duas maneiras diferentes para restabelecer a ordem européia, para os britânicos a maneira era a reconquista da Polônia, Para a França a guerra era a oportunidade para arruinar definitivamente a Alemanha.Hitler seguia seu curso, sem problemas com os aliados. O Japão estava longe e envolvido com seu avanço sobre a China. A Itália ainda não havia se comprometido com a guerra. A URSS, apesar do seu envolvimento na Europa do Leste e do Norte, ainda não era uma força militar no centro da Europa.Chamberlain, o primeiro ministro que antecedeu Churchill, considerava Hitler um possível aliado e suas políticas passivem de ajustes diplomáticos. Para os britânicos, a guerra era mais ideológica que nacional. O inimigo era Hitler e nãoo povo alemão.

5.1.2 Os Vizinhos Armados e as Guerras Paralelas
Iniciada no coração da Europa, a guerra iria expandir-se lentamente para outras regiões. A URSS, neutra, interveio na Polônia. O Japão e a China já se degladiavam. A guerra na Ásia, paralela à européia, iria lentamente se juntando com a guerra européia. Os EUA observavam, a certa distancia. Em 1939,Roosevelt anunciou a neutralidade.Na Europa, a situação era mais complexa para os vizinhos da guerra. Mussolini pediu a Hitler dois a três anos para que a Itália honrasse o pacto do aço. Os franceses e os britânicos imaginaram que a Itália iria se comportar igual na primeira guerra, mudando de lado, enviaram emissários a Roma. A Bélgica retornou, em 1936, a sua tradicional neutralidade depois da aliança com a França em 1920.Ao assinar os acordos com a Alemanha em 1939, a URSS tinha dois objetivos:reforçar a segurança das suas fronteiras e ampliar sua influencia na Polônia Oriental, nos países Bálticos, na Finlândia e, eventualmente na Bessarábia.Assim graças ao Hitler, Stalin conseguiu romper o "cordão sanitário" instalado pelo ocidente. Em 1939 os estados bálticos perderam a soberania para a URSS.A arrancada da URSS sobre a Finlândia teve ressonância internacional. Depois de uma heróica resistência liderada por Helsinque. O exercito vermelho invadiu a Finlândia, levantando protesto dos suecos, britânicos e franceses, de uma forma muito mais enérgica do que quando a Alemanha invadiu a Polônia.

5.1.3 A França em meio a uma guerra britânico-alemã (1940-1941)
A França começou a preparar para guerra no campo militar. Os Franceses forçaram os britânicos a decidir que nenhum dos dois países deixaria a guerras e paradamente.Em uma manobra rápida Hitler invadiu a França e conquistou Paris,aproveitaram a brecha aberta pela movimentação francesa e britânica para proteger a Holanda e a Bélgica. O plano de Hitler era evitar o ganho de tempo para se armarem da aliança Franco-Britânica.A França foi o único país vencido a concluir um armistício. A Holanda havia optado pela capitulação militar e a Bélgica assinara uma rendição. Os governos foram transferidos para Londres. Com isso a Grã-Bretanha tinha que enfrentar sozinha a Alemanha.As divergências entre Churchill e De Gaulle, atrapalharam os movimentos contra Alemanha.A batalha da Inglaterra iniciou-se em 13 de outubro de 1940. Das bases alemãs na França, na Bélgica e na Holanda, Hitler comandou pessoalmente o ataque alemão contra aviação britânica, com o objetivo de acabar com a capacidade operativa da Royal Air Force, para então invadir as ilhas britânicas. Com isso Hitler poderia enfrentar seu principal objetivo, a destruição da União Soviética. Desde 7 de setembro, a Luftwaffe iniciara os bombardeiros maciços de Londres. Desejava-se desorganizar a capital e trazer pânico e terror a população. Com isso a opinião publica e a população londrina, responderam com uma onda patriótica jamais vistas na historia britânica. No final de Outubro, para poupar suas aeronaves para o ataque a União Soviética, Hitler encerrou a batalha da Inglaterra.
5.1.4 Os Últimos Suspiros da Agonia Europeia (1940-1941)
A derrota francesa expressou a ruptura de uma velha ordem internacional do século XIX. A balança de poder que havia conformado a sociedade internacional europeia, com valores e regras de conduta, havia erodido de vez. A Alemanha era o pivô da crise que se estendia na balança de poder da Europa.Não havia, contudo, nada para substituir a ordem decadente. A Weltpolitik alemã não preenchia o vazio criado pela crise da sociedade internacional europeia. Os norte-americanos, impressionados com a rapidez da derrota francesa,tomaram consciência do vazio criado nas relações internacionais. O lado europeu cedia a Hitler e o asiático parecia ameaçado pelo expansionismo japonês no Pacifico. Na América Latina, os movimentos das diplomacias foram difusos. A Argentina, mergulhada em movimentos políticos desestabilizadores, optou pela neutralidade nos assuntos europeus. No Brasil, as correntes de opinião se dividiram acerca da guerra europeia.Na URSS, a vitória de Hitler sobre a França e a posição de relativa equidistância foi percebida com apreensão. Stalin esperava uma guerra longa na França. Mas a rapidez do armistício francês levou Stalin a reforçar os espaços de influencia soviéticos no leste europeu. Stalin agiu sobre os Estados Bálticos, para garantir a ocupação. Para agravar ainda mais a agonia europeia, Mussolini também iniciou sua guerra paralela, com os próprios meios e objetivos, disputando espaços colônias no Mediterrâneo. A impossibilidade europeia de conduzir os destinos das relações internacionais era a consequência mais evidente da dramática instabilidade que aqueles anos vivenciaram.

5.2 A Mundialização da Guerra (1941-1945)
O ano de 1941 foi crucial de inflexão das relações internacionais contemporâneas. Desmontaram-se, definitivamente, em um único ano, as regras do jogo herdadas do século anterior. Terminou o longo período de transição iniciado na Primeira Guerra. Ocorreu um turning point  de 1941, houve o ataque alemão contra a URSS em junho e o japonês contra as bases americanas em dezembro.A França invadida e a Grã-Bretanha falida evidenciavam a decadência das antigas potencias. Ao final de 1945 o mundo já se modificara plenamente. Em1947, a balança de poder internacional era outra.

5.2.1 O Fim do Poder Britânico e a Emergência Norte-Americana
No inicio de 1941, Hitler já enfrentava os britânicos no norte da África.Com a ocupação germânica dos portos franceses, a batalha do Atlântico também se inclinava para os alemães.Os britânicos, que haviam perdido muitos navios mercantes e tinham o ritmo de construção naval limitado pelos esforços de guerra, enfrentavam três problemas:O uso dos navios para a compra das mercadorias norte-americanas, o pagamento dos produtos adquiridos nos EUA pelo sistema cash-and-carry e a utilização das reservas monetárias para o pagamento desses encargos. A Grã-Bretanha estava a beira da falência.Os EUA observavam a crise britânica de maneira apreensiva. A Grã-Bretanha era a ultima resistência democrática europeia. Roosevelt preparava a opinião publica para o engajamento dos EUA na guerra.Em 1941, os EUA já viviam em econômica de guerra sem que estivessem presentes na guerra europeia.Assim em 1941, emergia um novo conceito: o de superpotência. A superioridade econômica elevava os EUA ao cerne das decisões internacionais. Roosevelt desenvolvia esforços para operacionalizar a aliança com os britânicos. Churchill e ele encontraram-se para conversações, e firmaram a famosa Carta do Atlântico. Com seus oito pontos, a Carta do Atlântico teve grande repercussão internacional. O sexto ponto engajava os EUA, de vez, na guerra. Roosevelt buscava um pretexto mais claro para levar a opinião publica para o seio da guerra. O ataque japonês à base americana, em sete de dezembro de1941, comoveu a opinião publica. Os 86 navios perdidos e mais de três milhões mortos levariam os EUA para a guerra. Em dezembro de 1941, os EUA uniram as duas guerras paralelas, a da Ásia e da Europa, em uma só. Transformavam-se no centro do mundo.
5.2.2 A Arrancada Soviética a Busca de Espaços
O ataque alemão à URSS foi outro significativo momento de ruptura da Segunda Guerra Mundial.
Berlim e Moscou romperiam nos primeiros meses de 1941, o jogo de cortejo mutua para assumir posições antagônicas. Stalin tinha consciência da fatalidade da guerra com os alemães. Kremlin decorreu na busca de espaço próprio no oriente europeu e na Ásia.Nascia a arrancada soviética na direção da construção da superpotência.A estratégia soviética era diminuir a possibilidade de manter uma guerra em duas frentes, no Ocidente com a Alemanha e no Oriente com o Japão. Daí o fato de Stalin ter aproveitado a visita de Matsuoka, a Moscou em abril de 1941, para assinar um pacto de não agressão. Os britânicos firmaram uma aliança com Stalin em 13 de julho. Os norte-americanos mandaram Hopkins, o velho amigo de Roosevelt, para endeusar a aliança e apoia à resistência russa a agressão alemã. No final de outubro, a URSS era incluída na aliança ocidental. Em dezembro de 1941, diante da contenção do avanço alemão nas portas de Moscou, da primeira perda do Hitler, as relações internacionais ganhavam outro gigante: a URSS.O compasso da guerra total, de 1942 a 1945, envolveu quase todo o planeta e implicou a mobilização das mais diversas forças.Em 1943, Stalin acusavam os aliados de abandona-lo na batalha de Stalingrado. Em 1944, os soviéticos forçou o recuo gradual das tropas alemãs na Ucrânia, na Bielo-Rússia e na Polônia, Stalin celebrou os avanços e continuou a desenvolver sua engenharia política e militar com o objetivo de impor administrações temporárias, favoráveis a sovietização no leste europeu e nos Bálticos.A tomada da Normandia e a ocupação da Alemanha seriam os símbolos marcantes da recomposição das forças militares e morais a favor dos aliados.

5.2.3 O Japão e a Grande Ásia Oriental
O pacto de não agressão assinado por russos e japoneses, foi o passo definitivo para a formação da grande Ásia sob o controle do Japão. A ocupação alemã na França deixou o Japão livre no sudeste asiático. Tóquio assegurou a neutralidade tailandesa por meio de pacto de não agressão. O ataque a Pearl Harbor deve ser visto, portanto não só como a porta de entrada do Japão na guerra europeia e o capitulo decisivo da mundialização do conflito, mas um ato articulado da estratégia japonesa de ampliação de espaços na Ásia.A conquista de um império com mais de oito milhões de quilômetros quadrados, com muitas riquezas, particularmente petrolíferas, lançava o Japão na grande política internacional de seu tempo.O Japão, finalmente teve que aceitar a relativa independência dos outros dois grandes da Ásia: China e a Índia. As futuras relações interasiaticas dependeriam do equilíbrio dos três países.

5.2.4 Periferias em Agitação: A América Latina e a África
Os países latino-americanos oscilaram entre neutralismo e alinhamento. Desde a II conferencia dos Chanceleres Americanos, na cidade de Havana, em 1940,firmara-se o acordo de que qualquer ataque a um país americano significaria um atentado a todo continente. Com o ataque a Pearl Harbor, a solidariedade americana seria posta em xeque. O Brasil manifestou imediatamente sua estupefação. As declarações de Getulio Vargas não foram suficientes, entretanto, para inclinar a política exterior brasileira a favor dos aliados. Grupos pró-nazistas instalados no próprio governo defendiam a opção pró-alemanha. A Argentina manifestou discreto apoio aos nazistas. O Chile, que reivindicou o direito de sediar a III Conferencia de Chanceleres Americanos, depois de negativa norte-americana, também se declarou neutro.O Peru, a Bolívia e o Paraguai fizeram o mesmo.Em 1942, ocorreu a III Conferencia de Chanceleres, mais conhecida como a Conferencia do Rio de Janeiro. Para os norte-americanos, o apoio brasileiro aos aliados era fundamental para alimentar o pan-americanismo conduzido por Washington. Roosevelt dirigiu-se a Vargas antes da conferencia para assegurar ao Brasil, em uma política de barganha, os armamentos necessários para a defesa e a manutenção do acordo siderúrgico assinado em setembro de1940. O Brasil parecia peça chave na ligação da América à África. Na África, a Segunda Guerra não foi um fenômeno localizado apenas no norte do continente e não se restringiu à luta entre alemães e italianos contrabritânicos. Ela envolveu países do sul, como a África do Sul, localizada em importante passagem estratégica para a Ásia e no cruzamento de hidrocarburetos. Conduziu países como o Egito, a Etiópia, e a Libéria para o conjunto dos aliados. O recrutamento dos colonizadores para lutar pelas suas metrópoles, como fizeram britânicos, franceses e italianos, era uma violência a mais no conjunto de desigualdades estruturais que tornavam a sociedades colonial subjugada aos desígnios metropolitanos. A guerra expunha a agonia europeia e mostrava a falibilidade da dominação colonial. A Segunda Guerra teve impactos distintos na America Latina e na África. Na primeira, significou oportunidade de fortalecimento da superpotência hegemônica regional. Na segunda, espelhou o enfraquecimento das potencia colônias europeias.

5.3 A Nova Ordem Internacional; O mundo já é outro (1945-1947)
O bombardeio de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, simbolizou não só o acaso da velha ordem internacional. Foi também a demonstração do fim dos sonhos de uma terceira grande potencia nas relações internacionais na ordem do pós-guerra. Berlim já sucumbira e agora era a fez de Tóquio. A nova ordem internacional só teria pelo menos ate 1960 dois polos de poder: Washington e Moscou. Pela primeira vez os poderes estavam fora do território europeu, um novo mundo estava formado.O gerenciamento da paz foi o grande e primeiro problema pós-guerra. O segundo foi o reordenamento dos processos econômicos. O nascimento da Organização das Nações Unidas e dos mecanismos de Bretton Woods veio redesenhar, nos planos jurídicos e econômicos, as forças reias dos vencedores de 1945.

5.3.1 O Preâmbulo de um Novo Tempo nas Relações Internacionais
Desde 1941, ao anunciar sua adesão aos princípios da Carta do Atlântico, a URSS iniciaria uma articulação para ocupar papel central nas redefinições estratégicas do pós-guerra. Stalin percebera o vazio de poder na Europa, e estava determinado em ocupa-lo.
A aliança anglo-soviética, firmada em 26 de maio de 1942 por Molotov, foi o prenuncio de um novo tempo nas relações internacionais europeias. A primeira "concertação" anglo-americana sobre o mundo do pós-guerra foi realizada entre 12 e 29 de março de 1943. O futuro da Alemanha, as reivindicações territoriais dos soviéticos e o sistema coletivo de segurança foram os principais assuntos em pauta. Vários pontos do pós-guerra dividiram os britânicos e americanos dos soviéticos; ideia federativa na Europa, a questão polonesa que fora invadida pela URSS e a questão italiana, em outras palavras trocaram Itália pela Polônia.Os nortes americanos restauraram as teses wilsonianas da prevalência de um organismo internacional de segurança coletiva, os britânicos preocupavam-se com a situação da Europa e com os riscos da expansão soviética, e os franceses exilados em Londres sentiam-se minimizados na aliança.As Conferencias de Moscou e Teerã, tinham dois assuntos principais, a criação de um organismo internacional e a questão alemã, Roosevelt propôs a criação de cinco estados na Alemanha, Churchill concordou, mas Stalin discordou argumentando que "os alemães são todos iguais".A Conferência de Yalta, em 1945, consagrou a divisão que se desenhara anteriormente entre os aliados ocidentais e a URSS. O tempo das relações internacionais eram outros: a política das áreas de influencia na Europa se tornaria um modelo a ser aplicado à própria política mundial.

5.3.2 As Nações Unidas e o gerenciamento da paz
Os aliados tinham o objetivo de criar os instrumentos para gerenciar a paz do pós-guerra. A aliança, uma necessidade dos tempos de guerra, cederia lugar aos esforços de reconstrução das relações internacionais sustentando no compromisso e no dialogo. A paz, entretanto, foi parcial. O espírito pessimista de Yalta cederia, aos poucos, a mais absoluta desconfiança entre as duas superpotências. Surgia em São Francisco, a Organização das Nações Unidas, uma coligação ditada pelo acaso da guerra e que só depois viria tornar-se uma verdadeira organização para a paz e a cooperação internacionais.O balanço desastroso da guerra, no entanto, gerou desânimo sobre as possibilidades de reconstrução de um sistema internacional sustentado na paz e na cooperação, 50 milhões de pessoas mortas.A Europa deixara de ser o centro do mundo. A oposição soviética ao Plano Baruch de congelamento do poder nuclear dos EUA por meio de mecanismo das Nações Unidas e a recusa norte-americana ao Plano Gromyko de extinção de todas as armas nucleares eram indícios de ruptura entre as superpotências, em 1946. O Tratado de Paz de Paris em 1947, firmado por 21 países vencedores da Segunda Guerra Mundial, encerrou simbolicamente, os turbulentos nove anos nas relações internacionais. O gerenciamento da paz, sempre parcial, ficava garantido pelo consorcio das superpotências. Os EUA reuniam todas as condições para impor sua multilateralidade econômica ao mundo. A URSS, embora tenha saído enfraquecida militarmente, reconstruiu, pedra por pedra e arma por arma, suas cidades e exércitos. A Guerra Fria seria o novo ambiente internacional. 

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Resumo "Dois gigantes e um condomínio: da guerra fria à coexistência pacifica (1947-1968)" Capitulo 6 do livro Historia das Relações Internacionais Contemporâneas José Flavio Sombra Saraiva

6.1 A Ordem internacional da guerra fria (1947-1955)

A ordem internacional da guerra fria teve origem no seio da Segunda Guerra Mundial.A Aliança formada pelos EUA, Grã-Bretanha e URSS sustentada na luta contra Hitler escondia o antagonismo que iria conduzir a sociedade internacional.Stalin não reconstruiria a econômica soviética na lógica da abertura comercial com o Ocidente, existia um antagonismo nato entre o capitalismo e o comunismo. Stalin, com seus mais de 20 milhões de mortos na guerra, ensaiava a reconstrução do país com a base na reparações de guerra e na política das zonas de ocupação.



6.1.1 Doutrinas, planos e instituições norte-americanas da guerra fria.

Havia algo subjacente à efervescência política da guerra fria nos EUA nos últimos anos da década de 1940. O multilateralismo econômico. O Novo conceito de superpotência correspondia,assim, à conjugação da capacidade econômica de exercer forte multilateralismo econômico com a vontade de construção de uma grande área sob a influencia dos valores do capitalismo.O impulso desenvolvimentista norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial deveria continuar para manter os níveis produtivos anteriores.A formulação de doutrinas políticas para a contenção dos soviéticos na esfera global, os planos econômicos de reconstrução das áreas atingidas pela guerras mundiais e consideradas vulneráveis a influencia soviética, assim, partes constitutivas de um único objetivo dos EUA.A Doutrina Truman foi a primeira clara formulação política com caráter universalista dos EUA nos tempos de guerra fria.O discurso de Truman no Congresso foi uma peça primorosa da dimensão messiânica que os EUA dariam à guerra fria. O presidente insistiu que todas as nações teriam que enfrentar uma escolha fundamental entre duas formas devida. A primeira, aquela que primava pelas instituições livres e governos representativos. A segunda, a sustentada na vontade da minoria sobre a maioria.A mensagem de Truman virou doutrina e associou-se à ideia de uma declaração informal de desafio à URSS.O Plano Marshall, apresentado na aula inaugural da Universidade de Harvard em 5 de junho de 1947, foi peça-chave a estratégia norte-americana da guerra fria.O Brasil, que se beneficiaria da política de barganha durante a Segunda Guerra Mundial, viveu, na segunda metade da década, a frustração do declínio do financiamento norte-americano para o projeto desenvolvimentista.O desdobramento militar da liderança ocidental norte-americana na guerra fria foi a criação da OTAN, em 4 de abril de 1949.Criada para reagir a qualquer ataque armado contra os membros da aliança na Europa e na América do Norte, a OTAN estabelecia como principio básico a defesa coletiva das liberdades democráticas dos países capitalistas.

Quando Truman deixou a presidência, no começo de 1953, para cede-la a Eisenhower, a guerra fria já havia assumido proporções globais.



6.1.2 O outro lado da guerra fria

As iniciativas discursivas e militares da guerra fria empreendidas pelos EUA não foram imediatamente acompanhadas pelos soviéticos.As reações da URSS foram lentas. A primeira foi resultante da rejeição aos termos da ajuda norte-americana para a reabilitação da Alemanha Ocidental.Os soviéticos viriam na reabilitação o termino da política de reparação de danos que tinha sido acertada nos arranjos políticos do imediato pós-guerra.Para Stalin, a presença dos EUA no leste europeu era uma dupla ameaça. Eles impulsionavam, por um lado, as forças anticomunistas e articulavam, por outro,o poderio estratégico-militar dos EUA em todo o continente europeu.A segunda reação soviética à política de guerra fria iniciada pelos norte-americanos foi o aceleramento da chamada sovietização da Europa Oriental.Claro exemplo de liderança soviética sobre o movimento de organizações dos comunistas europeus foi o nascimento, na Conferencia dos Nove Partidos, em setembro de 1947, do Kominform, um bureau de informação políticas.O avanço do projeto nuclear soviético, que culminou com o primeiro experimento da bomba atômica em 1949, foi a terceira reação de Stalin aos desafios da guerra fria.



6.1.3 Da Alemanha à Coreia

Uma sucessão de crises embalou as relações internacionais da guerra fria entre 1947 e 1955. Iniciada por Berlim e estendida pela Guerra da Coreia, a efervescência das disputas interimperiais norte-americanas e soviéticas se fez presente em varias partes do mundo.O bloqueia de Berlim, resultante da reação soviética à política de contenção norte-americana.Quando parecia inevitável o bloqueio, norte-americanos e britânicos iniciaram ,em 28 de junho, o transporte aéreo maciço de alimentos, combustíveis e materiais necessários à resistência de Berlim Ocidental.O fracasso do bloqueio e a vitoria inquestionável dos EUA alimentaram a divisão da Europa em duas. Políticas e militarmente, as duas Europas passariam décadas sem dialogo.Na América Latina, que recebera os efeitos da expansão do mundo liberal e da sua crise de entre guerras e na Segunda Guerra Mundial, a guerra fria teve efeitos menos duros que aqueles vividos pela Europa.Na África, a guerra fria trouxe seus primeiros sinais a partir de 1947, mas seus desdobramentos só se tornaram mais evidentes ao longo da década de 1950 e,particularmente, nos anos 1960 e 1970, no contexto da descolonização da África portuguesa.A África do Sul, que participou da Segunda Guerra ao lado dos Aliados,participou da guerra fria ao lado dos interesses norte-americanos o continente.No Oriente Próximo e no norte da África, os cenários da guerra fria foram construídos junto ao renascimento do nacionalismo árabe.Apesar das dificuldades na America Latina e na África, os palcos da crise da guerra fria foram fundamentalmente europeus e asiáticos. Iniciada na Turquia entre 1945 e 1947, e continuada na Grécia entre 1945 e 1949, a sucessão de crises da guerra fria chegou a Finlândia em 1948, ao Irã em 1951 e em 1953 à Iugoslávia entre 1948 e 1953, à Tchecoslováquia em 1948, e à Guatemala em1954.Na Ásia, o impacto da guerra fria foi fundamental para o sucesso de uma nova experiência comunista na China.Mao Tsé-Tung líder do partido comunista, apoiado, embora discretamente pelos soviéticos, animaram a guerra fria na Ásia. Com a expansão do poder de Mao, Stalin resolveu apoia-lo a partir de 1948. Os norte-americanos, diante da perda da China, concentraram suas atenções na reconstrução japonesa.Outras áreas na Ásia foram palco das disputas entre norte-americanos e soviéticos. Nenhuma delas, entretanto, presenciou uma guerra tão típica ao contexto da guerra fria como a Guerra da Coréia.O Ponto de partido foi a proclamação da Republica Popular Democrática da Coréia pelos revolucionários comunistas que haviam lutado contra os japoneses. Os EUA desembarcaram tropas no sul do país e estabeleceram um governo de notáveis, sob a direção do nacionalista pró-americano SyngmanRhee. A divisão do país em dois pelo paralelo 38 foi reconhecida pelas Nações Unidas.Os resultados da guerra foram os escombros a que o país ficou reduzido. As duas Coreias ficaram como um monumento dos anos da guerra fria. A do Norte alcançou a reconstrução dentro dos quadros do socialismo, e a do Sul recebeu forte injeção de capital para desenvolver o modelo dirigista de industrialização liderado por militares pró-americanos.





6.2 A bipolaridade imperfeita na coexistência pacifica

A flexibilização da ordem bipolar foi a característica mais marcante das relações internacionais no período que vai de 1955 a 1968. Apesar das grandes crises internacionais presenciadas naqueles 13 anos, as duas superpotências já não operavam com os princípios da guerra fria dos anos1940 e da primeira metade dos anos 1950.A coexistência pacifica, definida temporalmente entre 1955 e 1968, foi o segundo momento da ordem internacional construída nos estertores da Segunda Guerra Mundial.Ao mesmo tempo, a morte de Stalin, em 1953, com mais de 73 anos, foi um elemento a mais no desarmamento dos espíritos entre norte-americanos e soviéticos. O velho líder estava associado à saga da construção da URSS em anos difíceis e ao espírito guerreiro que alimentara sua política de espaços mundiais e de poder domestico.A coexistência pacifica foi, portanto, o resultado de uma re-acomodação das forças profundas que vinham alimentando as mudanças da ordem bipolar típica e do sistema de finalidades, dos novos cálculos e estratégicas, que tornaram a vida internacional dos tardios anos 1950 e grande parte da década de 1960menos inseguranças que os incertos anos de guerra fria.



6.2.1 A Europa reanimada

A reanimação da Europa nos anos 1950 foi a característica mais marcante no contexto da diminuição do monolitismo do mundo ocidental no pós-guerra.O cerne da reanimação, que transformou o curso das relações internacionais como um todo, foi o crescimento econômico da Europa Ocidental. O crescimento foi diferenciado de país para país e quase nunca alcançou a Europa do Leste, excerto para algumas poucas regiões onde o investimento soviético procurou mostrar para o Ocidente a capacidade de construção de riqueza da economia.O boom econômico europeu dos anos 1950 e 1960 foi assim, o responsável por duas modificações no sistema de poder mundial. Em primeiro lugar, foi responsável por significativa mutações nas forças profundas que alimentavam a vida internacional. O poder bipolar, especialmente ao Ocidente, estava sustentado na estreita vinculação do poderio econômico à capacidade de desenvolvimento de uma política de interesses globais.Em segundo lugar, o experimento do crescimento econômico acelerado,apesar de guiado por interesses "egoístas" e nacionais, trouxe certa base harmônica ao conjunto das relações intra-europeais.Os EUA, que viam o ressurgimento da força europeia como um bom muro de contenção ao comunismo, elogiaram a nova coesão regional dos seus parceiros no "velho continente". O condomínio de poder flexibilizava-se para ampliar os ganhos da expansão do capitalismo. E isso era bom para os EUA.





6.2.2 A África e a Ásia

O fenômeno mais espetacular das relações internacionais da segunda metadedos anos 1950 e a primeira da década de 1960 foi o ocaso do capitalismo na África e na Ásia. O mapa político mundial seria redesenhado em função da nova realidade das independências formais de mais de 70 países em menos de uma década.Há uma gama de teorias acerca da descolonização. Algumas enfatizam na transição do período colonial ao independente, o declínio do poder das metrópoles, a debilidade econômica destas e as redefinições estratégicas de seus interesses nacionais.No final de 1960, os EUA já tinham cerca de 20 embaixadas na África. AURSS, por sua vez manteve acesa sua política africana, que variou em seus objetivos ao longo do tempo.





6.2.3 A America Latina busca seu espaço

A America Latina ensejou uma multiplicidade de formas de relacionamento como mundo exterior. A multiplicidade expressou a própria inadequação do modelo bipolar para a região e a capacidade, de alguns países latino-americano, de atuar no cenário internacional a seu favor e, muitas vezes, contra os interesses do gigante americano.A coexistência pacifica não foi tão pacifica para alguns países latino-americanos.Viveram o final da guerra fria, em parte, como ela fora vivida até então: sem horizontes e ambições maiores nas relações internacionais continentais e extracontinentais.



6.2.4 A cisão no bloco comunista e as novas crises internacionais

O arrefecimento da guerra fria não significou que suas características tenham desaparecido do período da coexistência pacifica. Houve crises internacionais ditadas pela permanência do forte embate ideológico entre os EUA e a URSS.Existiam manobras de demonstração das conquistas militares, espaciais e atômicas de ambas as superpotências.

A Europa do Leste iniciou a ebulição política contra o sistema imperial soviético. A crise de lealdade dos partidos comunistas na região iniciou-se logo depois da morte de Stalin.A Alemanha Oriental, a Polônia e a Hungria passaram a viver, de 1950 em diante um certo processo de abertura política. Incidentes no Polônia e na Hungria tornaram o campo socialista fragilizado.O conflito sino-soviético veio confirmar, na Ásia, o fim do monolitismo stalinista e elevar uma nova potencia ao conjunto das relações internacionais. Pequim mostrou para Moscou e para Tóquio que estava preparada para desempenhar um papel de grande importância nos destinos da Ásia.A China de Mao apresentava-se como centro autônomo de poder em meio à ordem bipolar vigente, contestando o congelamento nuclear em mãos das duas superpotenciais. Ao explodir sua primeira bomba atômica, em 16 de outubro de1964, a China mudava a correlação de forças sobre o cenário internacional


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Resumo "Hegemonia coletiva e equilíbrio: a construção do mundo liberal (1815-1871)" Capitulo 2 do livro Historia das Relações Internacionais Contemporâneas José Flavio Sombra Saraiva

Hegemonia coletiva e equilíbrio: a construção do mundo liberal (1815-1871)

O inicio das relações internacionais contemporâneas começa em 1815 , comas decisões do Congresso de Viena que configuram uma nova ordem internacional. Outro ponto importante é por volta de 1870 -1880 com a criação do império alemão o retorno ao protecionismo e o aumento da concorrência internacional.No século XIX, o sistema internacional ampliou-se da Europa para o mundo fato que o Adam Watson chama de "sociedade internacional européia". No século XIX, a revolução industrial expandiu-se, mudando assim as relações internacionais.Com Napoleão Bonaparte no processo da Revolução Francesa rompeu o sistema de equilíbrio que mesmo funcionando com dificuldades , caracterizava as relações entre os Estados europeus nos séculos XVII e XVIII.Na Idade Média, a Europa ocidental concebia as relações entre comunidade ou Estado diferentemente do que acontecia nos antigos sistemas de Estados. A cristandade era o traço daquela civilização que determinava conceitos e práticas de governo. A Renascença italiana mudou o Estado e as relações internacionais ao fazer avançar cidade-estado.Após a Renascença , fragmentou-se a área da cristandade em Estados territoriais com o fortalecimento de reis que ignoravam a autoridade central.Associação anti-hegemônica, após-renascentista fez aflorar a idéia e estimulou a busca da balança de poder entre europeus. Segundo Watson o século XVII acabou por legitimar a "sociedade de Estados independentes". Com efeito, o Congresso de Vestfália (1648) consagrou a superioridade do princípio da independência dos Estados, a filosofia política de Vestfália fez avançar a sociedade internacional européia em termos conceituais, legitimava uma sociedade de Estados soberanos. Do século XVI ao inicio do século XIX, o funcionamento da sociedade internacional européia passaria por dois grandes desafios, a relações internas ao sistema e as relações do sistema com o lado de fora com uma dimensão econômica. Internamente, os europeus perceberam que a propensão para a hegemonia era constante. O direito internacional tornou-se racional, soberania e não-intervenção foram então incorporados ao um novo direitos dos povos.Enquanto os europeus amadureciam o modo de praticar relações internacionais em seu próprio espaço continental, movimentavam também para fora, conquistando a América e tornaram-se clientes da Ásia.O impulso radical para a ordem internacional ,tirou da Revolução Francesa e do império Napoleônico seu preâmbulo político e da Revolução Industrial do capitalismo seu fundamento econômico.Napoleão fizera o pêndulo do poder atingir o ponto mais extremo da hegemonia, como nunca ocorrera. Quando Napoleão caiu, as potências européias, decidiram que não mais convinha restabelecer a idade da razão na política internacional. A sociedade internacional européia vai evoluir para um sistema de entendimento e colaboração controlado pelas grandes potências. Brunello Vigezzi diferencia os conceitos de sociedade internacional e sistema internacional. O sistema internacional corresponde a interação econômica, http://htmlimg2.scribdassets.com/80nhuxozswhpf7v/images/1-534a68e8e4.png

política e estratégica. A sociedade internacional seria a evolução do sistema internacional.O encontro da sociedade internacional européia com o resto do mundo XVIII,significou a construção de um sistema internacional mundial. Os europeus determinaram as relações com os Estados que eles criaram na América, Africa do Sul e na Oceania. O resto do mundo foi posto sob controle hegemônico dos europeus, a revolução industrial forneceu-lhes os meios, e a sociedade internacional européia, as regras, princípios e valores. Os europeus iriam impor aos países menos desenvolvidos o seu sistema. A expansão européia do século XIX galgou em três patamares: dominação estratégica, exploração econômica e imperialismo cultural.Oriunda do Congresso de Viena, sob a forma de uma hegemonia coletiva, a organização dos Estados europeus ficou conhecida como Concerto Europeu.As cinco grandes potências (Grã-Bretanha, Rússia, Áustria, Prússia e França)haveriam de implantar a diplomacia de conferências e entender as questões da política internacional.No Congresso de Viena, as grandes potências tinham desafios circunstanciais a enfrentar, mas pretendiam nortear as relações internacionais ao longo prazo.As potências européias foram dívidas em reacionárias ( Áustria, Prússia e Rússia) e liberais ( Grã-Bretanha e França).A hegemonia coletiva era móvel,visto que cada Estado tinha interesses próprios. A Grã-Bretanha agregou à política internacional os interesses macroeconômico de sua expansão capitalista, liberalismo, comércio e constitucionalismo. A França acompanhava-a nessa via. As três monarquias absolutistas esforçavam-se para esmagar as liberdades e aspirações por representação política. O ponto de entendimento entre democracia e absolutismo era um desafio do concerto. Os dois grupos agindo em sentido antagônico a tal respeito, sobretudo nas vizinhanças. As aspirações dos pequenos eram levadas às reuniões dos grandes, mas nelas não tinham o direito de voz ou voto. Os grandes dirigiam o concerto sem consentimento dos pequenos, presumindo, todavia que sua política estivesse refletindo realidades.Entre 1815 e 1848, os cinco grandes agiam como diretório, usando o direito de intervenção coletiva. As divergências situavam-se mais na administração do sistema do que nas relações bilaterais, em fazer prevalecer  a raison desystheme sobre a raison d´Etat.

Os cinco acabaram por admitir independêncian a América e na Europa e governos liberais na Espanha e Portugal. Agiam tendo em vista a estabilidade e o equilíbrio. Grã-Bretanha e Rússia voltavam-separa fora da Europa, mas zelavam pelo equilíbrio sem seu interior. A expansão dos europeus para fora não teve ritmo acelerado. O imperialismo contentava-se em estabelecer bases para operações futuras e em desfechar golpes localizados. Entre 1848 e 1871, as questões européias permaneceram centrais para o sistema internacional.A partir de 1840, um novo ela revolucionário colocou a Europa em crise,embora os princípios básicos da ordem de Viena ainda sobreviveram e o movimento revolucionário foi controlado.Cantões suíços revoltaram-se em 1847, reivindicando democracia e federalismo e desencadeando a crise européia. Lutava-se por democracia na Alemanha e na Itália.O avanço da revolução industrial pela Europa coincidia com essas novas ideias e aspirações. Três idéias-força européias fazem curso e afetam as relações internacionais: nacionalismo, democracia e interesse popular.No inicio da segunda metade do século XIX, o quadro europeu prenunciava,pois, relações internacionais intensas e agitadas, sob o impulso dessas novas forças econômicas, políticas, espirituais e demográficas. O sistema de hegemonia coletiva passaria por três guerras de reajuste.A primeira crise do exercício da hegemonia coletivo adveio das ambições russas sobre o Império Otomano.Para a Grã-Bretanha, havia interesse em preservar o estatuto dos estreitos de1841 e as vantagens comerciais que obtivera pelo tratado de 1838. Os franceses aparentemente desejavam exercer seu protetorado sobre todos os cristãos do império.Na guerra iniciada em 1853, os aliados atacaram Sebastopol e conseguiram tomá-la. A Rússia aceitou as condições de paz. O Tratado de Paris contrariavam os interesses da Rússia, que era um triunfo dos interesses ingleses e uma reparação ao prestigio francês.A Áustria acabou entrando no conflito sob pressão dos aliados e quebrou assim sua entente com a Rússia. A Itália teve pequena participação. A França comprometeu-se a apoiar o movimento italiano contra a Áustria. Ao apoiar o movimento italiano contra a Áustria, Napoleão III, aproveitando-se do enfraquecimento de sua rival na Europa Central, acabaria por engrandecer-se e liquidá-lo.Nos anos 1860, a Prússia estabeleceu como objetivo externo a conquista da hegemonia alemã, que a Áustria não cederia voluntariamente. A Prússia amparou-se dos ducados e fundou a Confederação Germânica do Norte. Derrotou a Áustria, Rússia, Inglaterra e França.O príncipe Leopoldo von Hohenzollern candidatou-se ao trono espanhol. A França exigiu a retirada e foi atendida porem quando exigiu que fosse perpetuada a retirada, Bismarck não só recusou, mas tornou público. Com essa jogada, alcançou dois resultados que procurava: humilhar a França e arrancar uma declaração de guerra.A derrota francesa foi tão rápida que as outras potências não tiveram tempo de reagir, assim fundou-se o Império Alemão sobre os escombros do francês.A Alemanha de Bismark esteve fora do Concerto Europeu até poder controlá-lo. A distração das potências favoreceu seu intento, mas a diplomacia de conferências teria de reconstruir o Concerto Europeu.O centro do poder mundial, configurado no Concerto Europeu e exercido sob a forma de hegemonia coletiva dos cinco grandes, ocupou-se, no século XIX até por volta de 1870.Após as independências da América Latina, o continente americano manteve-se como zona de baixa pressão política e estratégica das grandes potencias européias. A análise das relações internacionais do século XIX revela que algumas nações da periferia reagiram com o objetivo de integrarem-se à economia-mundo em condições de interdependência, demonstrando que a possibilidade do desenvolvimento estava ao alcance dos povos.Os líderes continentais do início do século XIX ficaram mal impressionados com o principio de intervenção que compôs as regras de conduta da hegemonia coletiva fixadas em Viena. A intervenção e a sua legitimidade seriam proscritas do ideário político americano.Duas versões do ideário político americano tomaram alento: a norte-americana chamada de Doutrina Monroe e a versão bolivariana. Ambas manifestações tinham fundamento realista: os Estados Unidos desejavam enfraquecer a preeminência européia na America Latina.O regente D. João procedeu à chamada “abertura dos portos” quando chegou ao Brasil.O capitalismo do século XIX caracterizou-se pelo principio da liberdade de trabalho e de mercado. Duas fases marcaram a conquista do mundo pelo liberalismo. Na primeira as potências capitalistas européias impuseram o livre comércio para fora de suas fronteiras. Na segunda os países industrializados introduziram o livre comércio nas transações para dentro de suas fronteiras.Consumada a expansão do liberalismo para fora das próprias fronteiras, as matrizes capitalistas voltaram-se para dentro delas, com o intuito de estabelecê-lo nos negócios recíprocos. O livre comércio incorporou-se à política exterior. Desde aí, a Inglaterra iria desencadear a luta pelo livre-comércio entre todas elas. O estabelecimento do livre-comércio não era suficiente para estimular os negócios. O aumento da concorrência resultou na ampliação do livre-comércio provocou a elevação da produtividade econômica.As independências dos Estados Unidos e da América Latina deixaram Estados europeus enfraquecidos e feriram de morta companhias de comércio. A dominação de tipo colonial entrou em crise e pouco avançou. ”. Uma grave acusação vinha da consciência religiosa e humanista: o vínculo que anteriormente se estabelecera entre colonialismo e tráfico negreiro.Em 1806, a Inglaterra aboliu o tráfico. A marinha britânica incumbiu-se do exercício da função de polícia dos mares. A vitória estava assegurada e apenas dois fluxos de tráfico ainda permaneceriam, para Cuba e para o Brasil.A escalada da dominação européia do século XIX, até por volta de 1870,compreendeu as seguintes etapas, métodos e regiões:

Eurásia russa :

O império dos Czares imitava os outros, expandiu-se para o oeste, para o sul e principalmente para o leste até atingir o Alasca. Essa extraordinária expansão territorial resultou, na construção de um imenso império sobre a extensão de 17 milhões de quilometro quadrados.

Império Britânico:

Os ingleses mantiveram , o mais vasta império criado,hesitando entre o governo responsável e a exploração colonial. A Índia foi a grande base de operações coloniais dos ingleses.

O caso francês:

Sem as colônias de povoamento e desfalcada pelo derrota de1815, a França envolveu-se lentamente em conquistas, sem um programa.

Ibéricos e holandeses:

Portugal, Espanha e Países Baixos, pioneiros doc olonialismo no Antigo Regime, foram os perdedores do século XIX. Portugal quis fazer suas possessões africanas para compensar a perda da colônia sul-americana. A Espanha no final do século perdeu as possessões. A Holanda manteve pequenas possessões e a rentável colônia de Java.

Dependência informal:

O colonialismo do século XIX trazia retorno efetivo em poucos casos (Índia, Java, Filipinas, Caribe). A cobiça dos europeus dirigia-se com mais intensidade para regiões densamente povoados do globo.Na África negra, o comércio "legítimo" do século XIX sofisticou-se com relação ao anterior. O intercâmbio clássico envolvia como sempre, as manufaturas e plantações. Nessa área não operava diferente e se fazia sem imperialismo.Os asiáticos abrir-se-iam por consentimento, ameaça ou força. Os europeus inventaram ou ensaiaram, na China todos os métodos da política e da estratégica que caracterizaram o imperialismo selvagem. A produção e o consumo de droga era proibido pela sabedoria chinesa, porém os europeus disseminaram o vício por meio de contrabando, e enfim pelo livre-comércio.

Império Otomano:

A autonomia do Império Otomano, era ilusória. Presa do expansionismo russo nos Bálcãs e nos mares do interior.Como os latino-americanos,os otomanos investiam na terra e deixaram aos estrangeiros as iniciativas de modernização.

Pérsia e Marrocos:

Esses dois impérios muçulmanos tiveram a mesma sorte do otomano, cederam seus mercados ao livre-comércio, não empreenderam qualquer esforço de modernização.

Reações positivas aos desafios internacionais do século XIX:

O núcleo central do capitalismo europeu haveria de acompanhar o progresso econômico,ideológico e político, porque desenvolvia o conhecimento, os meios técnicos,as instituição políticas. O continente americano, após as independências, optou entre industrialização e o mercado interno ou mercado externo. Os casos descritos a seguir foram escolhidos como orientação de pesquisa e nãoesgotavam a segunda modalidade:

Estados Unidos:

A independência dos Estados Unidos foi a mais bem-sucedida revolta contra o colonialismo. Os colonos quiseram tudo de uma vez: o comércio, a produção e o governo. Foram à guerra por essas causas e venceram. A política adaptava-se às necessidades da modernização interna. O México foi a grande vítima da expansão territorial norte-americana. Mesmo fora do Conserto Europeu, os Estados Unidos se portavam como grande potência.

Brasil:

A atitude do Brasil e da Argentina diante da preeminência européia,esteve longe de ser passiva. O Brasil firmou duas dezenas de tratados desiguais com as potências. Um pensamento industrialista emergiu na década de 1840. O refluxo do pensamento liberal radial, eco dos interesses fundiários freou o projeto industrialista e a modernização voltada para dentro. Aliou-se ao Uruguai e Argentina para revidar a agressão do Paraguai.

Argentina:

O país não cedeu o livre-comércio por um tratado, como fizeram o Brasil e a maioria dos países latino-americanos. Franceses e ingleses tentaram pelas armas, demovê-lo de suas resistências protecionistas.

Egito:

Tradicional exportador de cereais, por meio da revolução agrícola e econômica, o novo Egito desenvolveu as indústrias. De exportador de alimentos, evoluiu para também exportador de tecidos, produtos metalúrgicos e navios. Em nome dos "superiores interesses europeus" Palmerston comprimiu a expansão regional do Egito, forçou à extinção dos monopólios estatais e abrir largamente seu mercado aos produtos externos.

Japão:

Os ocidentais ameaçavam o Japão desde os sucessos alcançados na China. Em 1853, duas esquadras, uma russa e outra norte-americana entregaram ultimatos, exigindo liberdade de navegação e abertura comercial. O Japão ofereceu facilidades para a navegação, porem os ocidentais queriam mais. Os bombardeios da costa japonesa por britânicos, franceses e norte-americano forçou a ratificar os tratados, que fixaram a tarifa de 5% ad valorem. Dois eram os parâmetros da nova política: desenvolvimento econômico, tecnológico, político e social ao estilo dos ocidentais; e sem confrontação. Essas decisões de política interna e externa fizeram o Japão mergulhar no mundo moderno.

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